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terça-feira, 23 de abril de 2013


Auditoria Ambiental, instrumento de Gestão Ambiental

Com o grande crescimento das políticas ambientais, da grande propagação do conceito da sustentabilidade, assim como novas tecnologias que visam diminuir os impactos ambientais no nosso planeta, outro sistema que vem ganhando força atualmente, são as auditorias ambientais. Que basicamente se resume a um processo que verifica, avalia e certifica: documentos, atividades, sistemas de gerenciamento, condições e outros, relativas ao meio ambiente e seus critérios de conformidade. As etapas de uma auditoria ambiental, normalmente são planejamento, preparação, execução e elaboração do relatório final. Os principais atores em um processo de auditoria são o cliente, o auditado, o auditor líder, sua equipe de auditores e especialistas, essas partes variam de representação, conforme o tipo de auditoria que for solicitada. Exemplo de alguns tipos de auditorias, são de conformidade legal, de aquisição, fusão, alienação, de certificação de Sistema de Gestão Ambiental (SGA), etc.
As auditorias podem ser internas, podendo ser executadas por pessoas pertencentes a própria organização, ou externa, realizadas por pessoas independentes da organização. 




Diversas são as normas brasileiras relacionadas ao tema meio ambiente, no caso das auditorias ambientais podemos citar a NBR ISO 19011:2002 e o CONAMA 306/2002, já as normas relacionadas aos sistemas de gestão ambiental, podemos citar a NBR ISO 14001:2004 e NBR ISO 14004:2005. Essas normas, não tem como objetivo criar algum impedimento comercial, ou interferir em alguma obrigação legal, a  NBR ISO 14001 por exemplo, tem como foco, auxiliar e capacitar as organizações de elementos eficazes para compor seu sistema de gestão ambiental. Além disso, elas são aplicáveis a qualquer tipo de organização, independente do seu tamanho, condições geográficas, culturais etc. As normas trazem grandes benefícios as organizações, mas para que se obtenha melhores resultados, além da organização ter um bom sistema de gestão ambiental, sua aplicação em seus diversos setores deve ser satisfatória.
Todas essas normas de certificação possuem seu sistema de auditoria, tanto no que diz respeito ao mecanismo de avaliação, quanto ao de concessão da avaliação. A NBR ISO 19011 é um avanço nesse novo sistema, ao invés de diversas normas independentes, ela engloba diretrizes da auditoria de sistemas de gestão da qualidade e/ou sistemas de gestão ambiental.  Ela também pode fazer uma ligação entre uma auditoria de sistema de gestão, com algum outro tipo de auditoria.
A auditoria ambiental vem crescendo, principalmente no que diz respeito a implantação e o fortalecimento dos sistemas de gestão ambiental das empresas, com isso traz benefícios como prevenir processos e ações judiciais, reduz risco de impacto ambiental negativo, melhora o controle operacional, além de promover o desenvolvimento sustentável.
Por Alexandre Tiltscher
Engenheiro ambiental



quinta-feira, 11 de abril de 2013


Resíduo ou Matéria-prima?

Com o crescimento industrial em alta, grandes taxas de produção e consumo de produtos, se tornaram comuns nos dias de hoje, com isso, mesmo havendo politicas, legislações, e tratamento de resíduos, seu acúmulo é praticamente inevitável, tornando-se um grande passivo ambiental mundial. Não bastasse esse acúmulo, pra piorar a situação grande parte desses resíduos, são classificados como perigosos. A geração, o acúmulo, a periculosidade, o não tratamento e a destinação de final incorreta, se tornaram um grande problema ambiental da sociedade moderna. A sociedade antigamente não produzia o volume de resíduos que é produzido atualmente, seu impacto vai desde a atmosfera, passando por fauna, flora, solo, águas superficiais e subterrâneas, qualquer tipo de organismo vivo, até chegar a atingir a saúde humana, a poluição é um rico emergencial que deve ser tratada.
Mas como falar de resíduos sem falar de reciclagem, afinal é por causa dela, que não nos encontramos em uma situação bem mais delicada, com o meio ambiente bem mais degradado. A reciclagem, além de proporcionar ganhos ambientais, evitando a degradação, também proporciona ganhos econômicos, pois a utilização de um resíduo como matéria prima na elaboração de um novo produto, por uma série de fatores como redução de energia, de matérias, de recursos hídricos, de controle e disposição final desses e outros, se torna mais econômica do que a utilização de uma matéria prima virgem. Além da economia na extração de produtos naturais, o que consequentemente gera uma maior regeneração do meio ambiente, e da questão da saúde pública, onde grande parte das mortes de pessoas, estão relacionados com a má gestão do lixo.


Se continuarmos nessa intensidade, a perspectiva é negativa, que até 2025 o volume do lixo produzido, possa dobrar, a não ser que haja um maior interesse e das empresas e da sociedade, gerando uma mudança de comportamento. Apesar das tecnologias de reciclagem e reaproveitamento de resíduos, nas últimas décadas terem evoluído muito, ainda não conseguem acompanhar o crescimento da geração mundial de resíduos, uma grande questão a ser resolvida.
Para uma mudança positiva significativa, nesse setor, é necessário primeiramente que haja uma mudança de pensamento, tanto das empresas na produção de seus produtos, até sua destinação pós-consumo, passando por políticas e educação governamentais, chegando na sociedade, com a quebra do paradigma, de que para se ter uma boa qualidade de vida é necessário cada vez mais, aumentar o consumo de bens materiais. Mas há de se louvar também um avanço do setor, a biodigestão de resíduos, o reaproveitamento energético, o avanço do conceito dos 3Rs (reduzir, reutilizar, reciclar), podendo chegar atualmente no conceito dos 5Rs (repensar, reduzir, reutilizar, reciclar e responsabilizar),entre outros, são progressos considerados no tratamento de resíduos sólidos. Para que esse avanço no tratamento dos resíduos possa ter um melhor êxito, a educação ambiental, levando a quebra de paradigmas, a sinergia de todos os setores da sociedade, levando a pratica sustentável, são princípios fundamentais a serem tomados para um planeta mais limpo.

resíduos sólidos

Por Alexandre Tiltscher
Engenheiro Ambiental


sábado, 9 de março de 2013


Economia Verde e o Pagamento Por Serviços Ambientais (PSA)

    O termo grego Economia, cujo um dos seus significados é o de “gestão da casa”, possui diversas ramificações, mais que recentemente incluiu como mais um dos seus ramos a Economia Verde ou Economia Ambiental. Trata se então da aplicação de valores econômicos a bens ambientais, e em contra partida a inserção desses bens ambientais no mercado econômico.  Já o Pagamento Por Serviços Ambientais (PSA), encontra se inserido dentro de uma economia verde, ele é mais um instrumento, entre tantos, que pode vir como uma grande contribuição em um sistema de gestão ambiental em uma determinada região.
    A natureza presta serviços ambientais para o planeta e para a humanidade insubstituíveis, diria que até “não avaliável”, tamanho a necessidade humana desses para sua sobrevivência na Terra. Dentre os muitos serviços ecossistêmicos prestados podemos encontrar: a fotossíntese, o armazenamento e abastecimento de águas aos aquíferos, a regularização de temperatura, a purificação do ar, ciclagem de nutrientes, entre outros. E são a preservação e a manutenção desses serviços que o PSA tem como alvo principal. Mas se á a natureza que presta esses serviços por que então pagar por eles?



    O meio ambiente clama por preservação e conservação, nesse sentido o PSA vem trabalhando com o princípio do protetor-recebedor, buscando e incentivando agentes que venham preservar o meio ambiente em que atuam. É mais fácil investir na preservação de um recurso natural, do que fazer sua recuperação depois que este sofre uma degradação ambiental. Além disso, o PSA também cumpre um papel socioambiental, na medida em que contribui com moradores de terras a serem preservadas, ou destinem parte da sua renda pra melhor adequação e moradia da população de uma determinada região.
    Mas o PSA ainda as em processo de adequação, por se tratar de um mecanismo de pagamento através da valoração ambiental, é comum se deparar com falhas de mercado, porque como citei anteriormente é valorar o “não avaliável”, mas que de alguma forma foi tomado algumas providencias no sentido de atentar para algo que se passava por despercebido. Devido ao grande desmatamento de florestas e a degradação ambiental em que o planeta se encontra, o conceito do poluidor-pagador veio primeiro, em seguida o de pagamento por serviços ambientais. É claro que o planejamento, a gestão e a legislação ambiental, precisam ser aperfeiçoadas nesse sentido, cuidados como o desvio de verbas e enriquecimento de poucos devem ser tomados, o certo é que uma iniciativa foi tomada, e mais um mecanismo vem sendo implantado, rumo a tão almejada sustentabilidade.

Por Alexandre Tiltscher
Engenheiro Ambiental


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Solo Sustentável - Colheita Próspera


O solo é um recurso vital para a humanidade, diversas são suas funções e grandiosos seus benefícios para à vida na Terra. Posso citar algumas funções do solo de natureza ecológica: um grande meio de suporte e de provisão para a produção de biomassa; um enorme reservatório da biodiversidade; ter um papel fundamental como regulador ambiental funcionando como um filtro, um acumulador e um transformador de compostos e organismos vivos; além da sua participação assídua no ciclo hidrológico; sua interação e nutrição de todo tipo de espécie vegetativa; de ser uma rica fonte de matéria prima; e de possuir tesouros arqueológicos, paleontológicos e paleoambientais.
Diante de tanta complexidade e importância, o solo também é utilizado para a agricultura, uma prática essencial para nossas vidas, mas que deve ser praticada com o devido cuidado, visando sempre técnicas produtivas sustentáveis. Diferente do pensamento de muitas pessoas, o solo não se encontra em grande abundância para o uso agrícola, apenas 11% são de boa qualidade para esta prática, em outras áreas ele é encontrado muito úmido ou muito seco, muito raso, quimicamente desiquilibrado, ou até mesmo congelado. Com essa menor porcentagem de terras produtíveis, há então duas questões a serem resolvidas, a primeira é a manutenção dessas terras para sua melhor utilização ao longo prazo, e a segunda é o não avanço para terras que tem outras funções ecossistêmicas.
Essa manutenção não é tão simples quanto parece, a degradação ambiental é o seu principal obstáculo a ser vencido, o solo por si só já sofre essa degradação por processos naturais, seja pelo clima atmosférico, seja por uma invasão de animais ou plantas daninhas, seja por processos erosivos, hidrologia, etc. Agora a maior responsabilidade da degradação ambiental dessas terras, se diz respeito das ações antrópicas, essas sim podem ser mais bem planejadas e executadas, visando sempre o uso sustentável dessas terras. Sabe-se que os processos de regeneração do solo são muito lentos, ou, muitas vezes, irreversíveis, podendo chegar até a desertificação. A maioria dos impactos negativos nessas terras são de práticas agrícolas inadequadas como o uso excessivo de pesticidas e fertilizantes, a mecanização pode causar a compactação do solo dificultando seu uso, a irrigação excessiva pode causar a salinização e a elevação do lençol freático, encurtamento do pousio, desmatamento, etc.
O avanço para terras que tem outras funções ecossistêmicas, se da muitas vezes através do desmatamento. Um dos maiores índices de destruição de florestas acontece pela abertura de clareiras para fins agrícolas, além do impacto negativo do ecossistema, a regeneração desse solo pode durar de cinco à quinze anos. Outro impacto que geralmente acontece, é o da destruição da cobertura vegetal para o uso da lenha para combustível, além do desmatamento, também contribui para a erosão do solo. Há também a expansão agrícola para áreas de encostas, o que se torna ainda mais perigoso, pois estas, muitas vezes, são consideradas áreas de risco.
O que mais contribuiu para esse tipo de degradação ambiental é, sem dúvida, o crescimento populacional juntamente com o desperdício e a má administração na distribuição alimentícia. A pressão por novas terras e a demanda por mais alimentos trouxe consigo uma pressão ímpar para resultados rápidos, com isso ainda há falta de educação, planejamento, manejo, etc. Inúmeros são os perigos da má gestão do solo, tanto para essa, como para as futuras gerações. Por mais que pareça “insistente” ou até mesmo “cansativo”, a sustentabilidade deve ser praticada verdadeiramente nas atividades agrícolas, existe a necessidade de cooperação e interação entre os produtores mais ricos e os mais pobres, é preciso despertar o interesse por parte do consumidor e do produtor por práticas de cultivo que façam parte do “ecologicamente correto”, pois só assim haverá solo fértil para o semeador. ▪


Por Alexandre Tiltscher
Engenheiro Ambiental

solo sustentável

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013


A urbanização e a sobrevivência das bacias hidrográficas

Ambientes urbanos possuem suas características específicas, e por sua vez são totalmente diferenciados de outros ambientes, como ambientes florestais, rurais, agrícolas e outros. Já as bacias hidrográficas foram formadas e possuem sua essência em ambientes naturais, daí a grande dificuldade de sua preservação e sobrevivência em ambientes urbanos.
Um dos maiores problemas que difere o ambiente urbano dos demais, é sem dúvida o da impermeabilização, enquanto a chuva cai e é absorvida pelo solo nos outros ambientes, no ambiente urbano, onde não há essa total absorção, ela cai provocando o escoamento superficial (runoff), poluindo e sobrecarregando as bacias hidrográficas. Estas, então acostumadas aos seus ciclos naturais, começam a sofrer mudanças drásticas em suas características químicas, físicas e biológicas, em alguns casos não suportando e se tornando verdadeiros esgotos a céu aberto. Devido ao grande escoamento superficial, muitas vezes a erosão se faz presente às margens dos rios, contribuindo para um possível assoreamento. No asfalto a água corre muito mais rápida do que em solo natural, muitas vezes rios transbordam provocando alagamentos.


Fonte: Revista Verde 2010/Rio Tiête – São Paulo/BR

Por se tratar de um ambiente urbano o ciclo hidrológico é afetado, o grau da intensidade dessa interferência, muitas vezes vai depender do estágio de desenvolvimento em que se encontra esse ambiente, se no estágio urbano inicial, médio ou avançado. O lençol freático também sofre alterações, muitas vezes sendo elevado ou rebaixado, dependendo do tipo de interferência.  Sem contar o aumento da temperatura, por se tratar de uma superfície impermeável ela absorve o calor e consequentemente aumenta a temperatura do curso d’água e da poluição que um ambiente urbano produz e acaba contaminando o rio.
Inúmeros são os problemas encontrados em uma bacia hidrográfica situada em área urbana. Mas como fazer então pra que esses corpos d’águas sobrevivam a tamanho impacto? Creio eu que a sustentabilidade é a chave para um novo planejamento e gerenciamento dessas bacias. Mas um verdadeiro desenvolvimento sustentável que na prática, leve consigo sua essência, a de “suprir as necessidades das presentes gerações sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações futuras”. Isto implica em delimitar limites, em muitas vezes deixar de construir para preservar, em recuperação e educação ambiental, em arborização urbana, em limpeza e manutenção ambiental, em fiscalização eficaz, em planejamento, em projetos e manejo ambiental. Talvez o grande “grande crescimento econômico” de algumas cidades no momento em que se encontram seja o “crescimento ambiental”. Pois o verdadeiro desenvolvimento sustentável vai da conscientização à prática.▪

Por Alexandre Tiltscher
Engenheiro Ambiental
bacias hidrográficas                  urbanização               sustentável