A urbanização e a sobrevivência das
bacias hidrográficas
Ambientes urbanos
possuem suas características específicas, e por sua vez são totalmente
diferenciados de outros ambientes, como ambientes florestais, rurais, agrícolas
e outros. Já as bacias hidrográficas foram formadas e possuem sua essência em
ambientes naturais, daí a grande dificuldade de sua preservação e sobrevivência
em ambientes urbanos.
Um
dos maiores problemas que difere o ambiente urbano dos demais, é sem dúvida o
da impermeabilização, enquanto a chuva cai e é absorvida pelo solo nos outros
ambientes, no ambiente urbano, onde não há essa total absorção, ela cai
provocando o escoamento superficial (runoff),
poluindo e sobrecarregando as bacias hidrográficas. Estas, então acostumadas aos
seus ciclos naturais, começam a sofrer mudanças drásticas em suas
características químicas, físicas e biológicas, em alguns casos não suportando
e se tornando verdadeiros esgotos a céu aberto. Devido ao grande escoamento
superficial, muitas vezes a erosão se faz presente às margens dos rios, contribuindo
para um possível assoreamento. No asfalto a água corre muito mais rápida do que
em solo natural, muitas vezes rios transbordam provocando alagamentos.
Fonte: Revista Verde 2010/Rio
Tiête – São Paulo/BR
Por se tratar de um
ambiente urbano o ciclo hidrológico é afetado, o grau da intensidade dessa
interferência, muitas vezes vai depender do estágio de desenvolvimento em que
se encontra esse ambiente, se no estágio urbano inicial, médio ou avançado. O
lençol freático também sofre alterações, muitas vezes sendo elevado ou
rebaixado, dependendo do tipo de interferência.
Sem contar o aumento da temperatura, por se tratar de uma superfície
impermeável ela absorve o calor e consequentemente aumenta a temperatura do
curso d’água e da poluição que um ambiente urbano produz e acaba contaminando o
rio.
Inúmeros são os
problemas encontrados em uma bacia hidrográfica situada em área urbana. Mas
como fazer então pra que esses corpos d’águas sobrevivam a tamanho impacto?
Creio eu que a sustentabilidade é a chave para um novo planejamento e
gerenciamento dessas bacias. Mas um verdadeiro desenvolvimento sustentável que
na prática, leve consigo sua essência, a de “suprir as necessidades das
presentes gerações sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações
futuras”. Isto implica em delimitar limites, em muitas vezes deixar de
construir para preservar, em recuperação e educação ambiental, em arborização
urbana, em limpeza e manutenção ambiental, em fiscalização eficaz, em
planejamento, em projetos e manejo ambiental. Talvez o grande “grande crescimento
econômico” de algumas cidades no momento em que se encontram seja o “crescimento
ambiental”. Pois o verdadeiro desenvolvimento sustentável vai da
conscientização à prática.▪
Por Alexandre Tiltscher
Engenheiro Ambiental
bacias hidrográficas urbanização sustentável