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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013


A urbanização e a sobrevivência das bacias hidrográficas

Ambientes urbanos possuem suas características específicas, e por sua vez são totalmente diferenciados de outros ambientes, como ambientes florestais, rurais, agrícolas e outros. Já as bacias hidrográficas foram formadas e possuem sua essência em ambientes naturais, daí a grande dificuldade de sua preservação e sobrevivência em ambientes urbanos.
Um dos maiores problemas que difere o ambiente urbano dos demais, é sem dúvida o da impermeabilização, enquanto a chuva cai e é absorvida pelo solo nos outros ambientes, no ambiente urbano, onde não há essa total absorção, ela cai provocando o escoamento superficial (runoff), poluindo e sobrecarregando as bacias hidrográficas. Estas, então acostumadas aos seus ciclos naturais, começam a sofrer mudanças drásticas em suas características químicas, físicas e biológicas, em alguns casos não suportando e se tornando verdadeiros esgotos a céu aberto. Devido ao grande escoamento superficial, muitas vezes a erosão se faz presente às margens dos rios, contribuindo para um possível assoreamento. No asfalto a água corre muito mais rápida do que em solo natural, muitas vezes rios transbordam provocando alagamentos.


Fonte: Revista Verde 2010/Rio Tiête – São Paulo/BR

Por se tratar de um ambiente urbano o ciclo hidrológico é afetado, o grau da intensidade dessa interferência, muitas vezes vai depender do estágio de desenvolvimento em que se encontra esse ambiente, se no estágio urbano inicial, médio ou avançado. O lençol freático também sofre alterações, muitas vezes sendo elevado ou rebaixado, dependendo do tipo de interferência.  Sem contar o aumento da temperatura, por se tratar de uma superfície impermeável ela absorve o calor e consequentemente aumenta a temperatura do curso d’água e da poluição que um ambiente urbano produz e acaba contaminando o rio.
Inúmeros são os problemas encontrados em uma bacia hidrográfica situada em área urbana. Mas como fazer então pra que esses corpos d’águas sobrevivam a tamanho impacto? Creio eu que a sustentabilidade é a chave para um novo planejamento e gerenciamento dessas bacias. Mas um verdadeiro desenvolvimento sustentável que na prática, leve consigo sua essência, a de “suprir as necessidades das presentes gerações sem comprometer o atendimento das necessidades das gerações futuras”. Isto implica em delimitar limites, em muitas vezes deixar de construir para preservar, em recuperação e educação ambiental, em arborização urbana, em limpeza e manutenção ambiental, em fiscalização eficaz, em planejamento, em projetos e manejo ambiental. Talvez o grande “grande crescimento econômico” de algumas cidades no momento em que se encontram seja o “crescimento ambiental”. Pois o verdadeiro desenvolvimento sustentável vai da conscientização à prática.▪

Por Alexandre Tiltscher
Engenheiro Ambiental
bacias hidrográficas                  urbanização               sustentável